- Boa tarde ! - disse ela naquele sorriso luminoso e olhos quase fechados.
E qualquer conversa poderia ter partido daquele sorriso. Percorremos vidas amigas e falámos sobre coisas interessantes. Mas em quase todas as conversas há uma grande tendência para tentar adivinhar o amanhã. Ela não parava de sorrir e isso contagiava-me. Veio então o futuro e por momentos eu parei de sorrir. Tentei conter-me e não explodir com todas as dúvidas que me fazem parar mas, inocentemente, respondi.
Foi então que ela abriu aqueles olhos, que tão pequenos pareciam, e fez um ar de espanto, disse numa voz apressada "oh meu Deus".
Ficou no ar uma certa dúvida, eu vi-a nos olhos dela que ela esperava que eu dissesse "estou a brincar" ou apenas desvendasse que, afinal, era só para ver a reacção dela.
Mas não!
Eu tinha respondido de coração aberto e quando vi aquele ar de espanto o meu coração ficou reduzido a nada, não soube que dizer, porque aquela era a minha vontade e já era incontornável.
Para a mesma resposta já vi várias expressões: um sorriso desconfiado, um fechar de olhos de desânimo, um mundo inteiro à minha frente, desilusão, alegria e êxtase.
Pois bem, é este conjunto de emoções que dá alento aos meus dias. É claro que nunca vou deixar bem toda a gente, é claro que vou desiludir sempre alguém. Contudo eu tento ser sempre autêntica, não quero deter percursos naturais, como o dos rios, nem quero perder a alegria de viver. Quero estar sempre receptiva quando surgirem desafios, quando surgirem dificuldades e gozar as alegrias, beber a sua essência e guardá-la no coração., a iluminar o que me aflige, o que me afasta do mundo, o que me tira vida.