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"Com pequenas variantes, era um dia como todos os outros, até que bateste levemente na porta e inundaste a minha sala com a água clara dos teus olhos e salvaste a minha vida com um filtro mágico do teu sorriso e acendeste o mundo com o outro da tua trança semidesfeita e disseste, venho saber no que posso ajudá-lo, o meu nome é Inês."

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Procuro-te

Procuro a ternura súbita, os olhos ou o sol por nascer, do tamanho do mundo, o sangue que nenhuma espada viu, o ar onde a respiração é doce, um pássaro no bosque com a forma de um grito de alegria. Oh, a carícia da terra, a juventude suspensa, a fugidia voz da água entre o azul do prado e de um corpo estendido. Procuro-te: fruto ou nuvem ou música. Chamo por ti, e o teu nome ilumina as coisas mais simples:o pão e a água, a cama e a mesa, os pequenos e dóceis animais, onde também quero que chegue o meu canto e a manhã de Maio. Um pássaro e um navio são a mesma coisa quando te procuro de rosto cravado na luz. Eu sei que há diferenças, mas não quando se ama, não quando apertamos contra o peito uma flor ávida de orvalho. Ter só dedos e dentes é muito triste: dedos para amortalhar crianças, dentes para roer a solidão, enquanto o verão pinta de azul o céu e o mar é devassado pelas estrelas. Porém eu procuro-te. Antes que a morte se aproxime, procuro-te. Nas ruas, nos barcos, na cama, com amor, com ódio, ao sol, à chuva, de noite, de dia, triste, alegre - procuro-te.

Eugénio de Andrade, As Palavras Interditas

2 comentários:

Maria Miguel disse...

às vezes as coisas mais simples são as que mais necessitamos e as que, sendo pequenas, ajudam a ultrapassar problemas que parecem tão difíceis de superar (:

amo-te *

Cherry Blossom Girl disse...

Como é que se conseguem dizer coisas tão bonitas de uma forma aparentemente tão simples? :)
Adoro ler quem sabe escrever!

Sabes, fez-me lembrar que uma vez ouvi alguém falar ou li algures (não me lembro) um belíssimo argumento contra a "teoria" do "longe da vista, longe do coração". Segundo esse tal argumento, essa frase não podia estar mais errada porque quando amamos alguém e não estamos com essa pessoa, temos tendência em vê-la em todo o lado. Tudo à nossa volta nos faz lembrar essa pessoa. E eu não podia concordar mais!
E é um bocado isso...procuro em todo o lado e encontro em todo o lado. Ainda que haja tanto a separar-nos.

Beijinhos*