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"Com pequenas variantes, era um dia como todos os outros, até que bateste levemente na porta e inundaste a minha sala com a água clara dos teus olhos e salvaste a minha vida com um filtro mágico do teu sorriso e acendeste o mundo com o outro da tua trança semidesfeita e disseste, venho saber no que posso ajudá-lo, o meu nome é Inês."

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Outono

"Hoje, só por ser Outono, vou chamar-te "meu amor". Contra as regras do que somos, vou chamar-te "meu amor". Hoje só por ser diferente te encontrar... É tanto o fado contra nós mas nem por isso estamos sós .E embora fique tanto por contar - hoje, só por ser Outono, vou... Entre dentes, entre a fuga, vou chamar-te "meu amor". Enquanto não se encontra forma, vou chamar-te "meu amor". Entre gente que é demais e tão pequena para saber que é tanto vento a favor mas tão pouco o espaço para a dor. Só pode ficar tudo por contar... Hoje, só por ser Outono, vou... E há flores e há cores e há folhas no chão que podem não voltar... podes não voltar. Mas é eterno em nós e não vai sair... Desce o tempo e a noite vem lembrar que as tuas mãos também já não são de nós para ficar, por ser tanto quanto somos, certo quando vemos, calmo quando queremos. Hoje, só por ser Outono, vou..."
Hoje é Outono, meu amor. Já gastámos as horas das outras Estações com a intensidade que as vivemos. E com isso apagámos a vida do que nos faltou viver. Não é que me importe. Eu até gosto do Outono, da alegre melancolia que consome os meus dias, sempre com suavidade. Vamos ter calma. Vamos dar as mãos e vamos saltar por cima destas folhas, sem pensar nos vários significados que o mundo lhes dá. Vamos aos dias gastos e fazer com que a tristeza se esgote por entre chuviscos e folhas caídas. Ah folhas caídas sobre ti, meu amor. Tanta lágrima que caiu e chocou nesse chão com um tapete de folhas, de cores quentes, que me arrefecem, que escondem o que há no chão. Não há medo, não há ilusão, neste Outono tão breve, que em cima da hora nos chega. As tuas mãos, os teus olhos, o teu sentir e a tua alegria. Tanto que anseio por vê-los nos próximos Outonos. Nestes dias corridos a nada, cheios de tudo, que preenchem o vazio e esvaziam o que está cheio de tanto que ninguém vê. Queria que o nosso amor de Outono te comovesse em todas as outras estações, que não enchem, as flores abrem e morrem, ficam os frutos que se comem. E desaparecem para sempre. Vem o calor que torra, que mata, que esgota. Depois vem o frio que gela, que consome. Mas estas folhas, meu amor, jamais as esqueceremos, mesmo que mortas, mesmo que pisadas e desfeitas.

8 comentários:

Filipa <3 disse...

Outono, Inverno, Primavera, Verão...
Acabam, mudam, retomam...
O amor, acaba, mas, se mudar, poderá retomar.
Temos que aproveitar os verdadeiros momentos. :)

Maria Miguel disse...

gosto tanto, mas tanto dessa música.

um beijinho princesa *

ParadoXos disse...

palavras de te sentir - profundo!!

beijão!

Ana Paula Motta disse...

Que delícia de texto. Adoro fazer textos onde as estações do ano se apresentam, se espalham,dão o tom,dão seu clima. Estou escrevendo um conto onde uma das personagens é justamente o inverno.

LM disse...

A vida como um ciclo vicioso , como as estações do ano ...
Adoro a profundidade com que escreves *.*

V disse...

Não esquecemos o que nos marcou, oou pelo menos tentamos nao esquecer! adorei *

Peregrina disse...

Por acaso não gosto muito do Outono. Mas com a pessoa ideal, tudo é perfeito :)

Tecnenfermaginando disse...

assim que se faz o amor.

:)